terça-feira, 25 de outubro de 2011

saí daquela porta caminhando
sobre meus próprios estilhaços
(não, você não quer mais me ver)
as casas e os carros parados
andavam incrivelmente mais rápidos
que de costume
os estilhaços desmoronavam
se agarravam aos meus braços
com medo de se extinguirem nos pingos d´agua
que decolavam até as telhas de zinco
(não vou acordar cedo amanhã)
uma parte de mim está nublada

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

aqui onde eu estou
parado
cercado de céu por todos os lados
posso escutar os diálogos
silentes entre as orelhas dos que passam
voam sobre mim dirigíveis inflados
de pensamentos sobre o que nunca existiu
a morte marte e a sorte
(corta para o céu desabando sobre outubro)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

eu tenho em mim todas as crianças que fui
e as visito quando dá
pra pedir que parem de olhar para a parede
pra dizer que a culpa de terem envelhecido não é delas
e que o nirvana já aconteceu
antes de nascermos

domingo, 16 de outubro de 2011

Lume koan

está além do entendimento
o porquê do fogo sublimar os arrozais
os arranha-céus e os lírios
se nunca fomos a centelha
que despenca em slow
motion sob as pétalas
nuas